Revolução Digital – A internet é um meio de comunicação?

Eugênio Bucci, jornalista, inicia seu texto propondo um olhar diferente sobre as tecnologias. Estamos acostumados a olhar para elas de longe, quando, na verdade, o autor sugere que elas são quem olham para nós. Como assim? Na rede pode se encontrar cada detalhe nosso.

“Quando você vai num laboratório de exame médico, tem aqueles raio-x, endoscopia… Isso tudo vai para a rede. Virtualmente, é possível a pessoa acessar toda a sua intimidade, inclusive física. Tudo isso está sendo olhado pela tecnologia. Isso é muito novo, e precisa ser pensado.” (BUCCI, p. 203)
De acordo com o autor, a internet vai além de uma revolução, ela é uma sucessão de revoluções. Para ele, é muito mais interessante ver o desdobrar de mudanças do que olhar para a internet como algo que rompe com uma realidade. Bucci afirma, também, que o conceito de total igualdade que se pensa dentro da internet não é tão real. Para que eu seja um “ser” incluído digitalmente, é preciso que eu tenha um certo nível de domínio das tecnologias e influência nas redes.
Eugênio afirma que a inclusão e a exclusão digital não são dois universos heterogêneos. Há diversos níveis de diferenciação dentro desses dois mundos. Entender a comunicação na internet é muito diferente de compreendê-la como na época em que só havia TV ou rádio. Nesses meios de comunicação, todos recebem a mesma informação ao mesmo tempo. Na internet, não. Existem infinitos tipos de envolvimento na rede, tanto entre os usuários, quanto entre os usuários e o conteúdo disponibilizado nela.
O autor deixa claro que a horizontalidade da internet não é completamente real. Nós a vemos como um plano, mas na verdade ela possui uma divisão vertical, que, segundo ele, ocorre de diversas formas: grau de tecnologia disponível para o usuário, familiaridade com a diversidade de dispositivos digitais, grau de comando dos programas e concentração de capital.
“Mas, para você ter um acesso privilegiado ao mundo digital, você precisa contar com essas coisas: mais tecnologia e mais poder de mobilização. Então eu não acredito, olhando para frente, que nós entraremos num mundo de uma espécie de utopia socialista digital.” (BUCCI, p. 206)
Reforçando a ideia de hierarquização, Bucci afirma que daqui a algum tempo, o boom de informações será algo prejudicial. o autor afirma que talvez, aí, entre o papel do jornalista, que será o filtro (gatekeeper?) que irá reordenar e hierarquizar as informações lançadas na rede.
“[…] porque é necessário que alguém, com um mínimo de credibilidade perante um determinado público, faça  a hierarquização das informações, uma edição mínima, porque efetivamente as pessoas não vão ter tempo de fazer as edições por conta própria.” (BUCCI, p. 210)
O autor finaliza o texto afirmando que a internet é muito mais do que um meio de comunicação. Ela é uma conexão que produz um novo espaço, no qual uma série de novas atividades pode ser produzida. E isso vai muito além do que se chama de comunicação.
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