“Pane no sistema, alguém me desconfigurou.” Pitty estava certa.

O autor Nicholas Carr inicia o texto na obra “The Shallows” falando sobre as mídias e seu poder de nos influenciar (e modificar), assim como o meio em que vivemos. Sempre que surge uma nova mídia, uma nova forma de comunicar, todos se voltam para a análise do conteúdo que está sendo propagado, esquecendo-se de que influência essas ferramentas podem exercer sobre o nosso modo de pensar, de agir, e, consequentemente, nas relações que construímos na sociedade.

Nicholas apresenta um certo vício nas análises dos meios de comunicação realizadas até então. Ele afirma que o que aconteceu com o rádio, aconteceu com a TV e agora acontece com a internet. Ele afirma que com o passar do tempo, o foco no conteúdo gera “cegueira” em relação aos efeitos.

“O debate tem sido importante – o conteúdo importa sim – mas por depender de ideologia pessoal e gosto, acabou num beco sem saída” (CARR, p. 1)
O autor inicia uma comparação usando sua mente em tempos de leitura exclusiva em livros impressos, e a situação atual. Ele afirma que sua capacidade de concentração caiu drasticamente. Enquanto antigamente passava horas mergulhado em uma trama; hoje, não consegue ler duas páginas completas de um livro sem se distrair. Nicholas fala que está praticamente 24h conectado. No trabalho, em casa, no lazer, tudo está de alguma forma ligado com a rede.
De acordo com ele, as mídias são realmente transformadoras, pois entregam toda e qualquer informação “de bandeja”. Isso, porém, possui um preço. As mídias fornecem o conteúdo que se busca, mas formatam o processo de pensamento. Além do caso dele, Nicholas apresenta o caso de amigos que sofrem com a mesma dificuldade atualmente. Alguns que eram grandes devoradores de livros, hoje não conseguem se concentrar em uma leitura por muito tempo.
“A mente linear, calma, concentrada, sem distrações está sendo substituída por um novo tipo de mente que quer e precisa obter e distribuir informações em curtos rebentos disjuntos e por vezes sobrepostos – quanto mais rápido, melhor.” (CARR, p. 3)
Nicholas fala que seu primeiro computador foi comprado aos 20 anos, quando já era casado, e ele lhe custou quase todas as suas economias. Desde então, a máquina já estava presente tanto no seu cotidiano quanto no trabalho. A relação era mágica, a praticidade e a rapidez do computador mudaram seu cotidiano. A partir daí já era perceptível a influência daquela máquina em sua vida.

“O computador, comecei a perceber, era mais que apenas uma ferramenta que fazia o que a gente mandasse fazer. Era uma máquina que, de maneira sutil e inconfundível, exercia influência sobre a gente. Quanto mais o usava, mais ele mudava meu modo de trabalhar.” (CARR, p. 6)
O autor usa, a partir dai, uma linha que envolve o leitor, apresentando a sucessão de mudanças que ocorreram no seu cotidiano com o advento da internet, e questiona o leitor se aquilo também não aconteceu com ele (no meu caso, concordei completamente com ele). Fica a reflexão que nos questiona como mudamos tanto? Que poder é esse das redes de nos fazer insaciáveis de conexões? Precisamos estar (sempre) online?
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